RELATO DA MINHA REFLEXÃO SOBRE OS TEXTOS LIDOS
Acredito que antes de ter nascido mulher,eu já tinha nascido professora!Sempre foi algo que estava em mim(no coração) e comigo(na vontade).
E foi partindo desta certeza que partilho algumas idéias,conceitos,experiências positivas e negativas.
Penso que ser professora é mais do que um meio de ganhar a vida,uma vez que, atualmente, além da desvalorização há o desrespeito geral em relação ao professor, por vários setores, o que já é sabido. Ser professor é amar o que e para quem se faz e em nome deste amor, buscar o melhor para o aluno.
Não me refiro a amor como algo utópico e sim como uma realidade.Tenho que estar pronta e disposta a amá-los um por um, independente da situação individual de cada um deles.
Situação esta, que deve ser levada em conta na aprendizagem. Paulo Freire coloca: “Porque
não estabelecer uma necessária “intimidade” entre os saberes curriculares fundamentais aos alunos e a experiência social que eles têm como indivíduos?”(Pedagogia da autonomia-saberes necessários à prática educativa - Paulo Freire-página 34-ed.1996-Editora Paz e Terra).O que me fez lembrar que completa outra idéia de Paulo Freire, que era combater o professor como transferidor de conhecimentos. Unindo os dois pensamentos acredito ser necessário que o professor não despreze a bagagem trazida por seus alunos e não seja apenas aquele que traz conhecimento “compartimentado” e os transfere para “gavetas cerebrais”.
Conversando e lendo sobre educação e o ato de educar, questionava-me sobre o por que de estar aumentando cada vez mais a evasão, o desinteresse e a reprovação escolar e cheguei à conclusão que vários são os motivos,mas um dos que me chamou mais a atenção foi a metodologia usada pelos professores.Já presenciei professores dos mais tradicionais até os mais construtivistas(dizem-se), fazendo barbaridades com seus alunos!!!Puras atitudes de desrespeito, de negação e de violência(por que não dizer?).Eu mesma tive algumas professoras que marcaram negativamente minha vida como aluna!Durante a 1ª série, aos 5 anos, em 1975,numa escola particular de POA, tive meu braço amarrado por ser canhota, fato considerado errado pela professora. Lembro até hoje da dor no ombro. Fico pensando e acredito que naquele tempo o professor tinha a formação que lhe garantia o “direito” de dispor do aluno como bem quisesse e este fato fazia com que o aluno não questionasse, aceitasse simplesmente o que lhe era imposto, pois nunca havia contado nada em casa quando pequena e tempos atrás, conversando em família, ao contar, meu irmão mais velho, que também foi aluno desta mesma professora, contou que também fora amarrado por ela e pelo mesmo motivo, um ano antes de mim.Tive sérios problemas de ajuste para escrever com a mão direita, uma vez que sabemos ser uma função cerebral. Fiz muitos cadernos de caligrafia para “endireitar” minha letra que era feia, ininteligível(segundo minhas professoras),fiz exames para ver se meu problema era neurológico, uma vez que era lenta demais para escrever e tudo isto porque a professora julgava-se detentora do saber e unificava realidades diferentes, mas por que? Porque sua formação havia sido esta!O certo era ser destro então o que era diferente não era aceito.Como pessoas somos frutos de uma formação, muitas vezes rígida, tradicional e castradora, o que Paulo Freire não queria.
Quando optei pelo magistério, questionei-me muito à respeito da profissional que seria, pois por mais que amasse as crianças, tinha tido algumas experiências ruins e poderia perpetuar estas atitudes ou não,pois eram exemplos de professores que eu havia tido.
Para finalizar, posso afirmar que, realmente as experiências que tive com professores conservadores serviram para formar a profissional que sou hoje, pois me mostraram o que eu não devo ser para meu aluno, pois acredito em uma educação inclusiva, educação esta que acontece a partir do momento que cativo meu aluno, que o conquisto, que me utilizo de suas vivências e realidades para desenvolver os “saberes curriculares fundamentais”.
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